quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Sobre pessoas

Trabalho para o público. Nunca foi uma escolha minha, até porque se pudesse fugia dessa realidade. Mas por vezes a vida obriga-nos a irmos por caminhos que, provavelmente, são aqueles que dizemos "Nunca! Deus me livre!". Trabalhar para o público certamente era e é uma das realidades que eu menos gostaria de poder viver todos os dias. Mas vivo e vivo à aproximadamente um ano e cinco meses. Ano e meses esses, incrivelmente imprevisíveis e de um crescimento incrível, admito já. 

Trabalhar como recursos humanos (experiência que também já tive), faz-nos estar envolvidos em várias frentes de combate, mas estamos seguros por detrás de uma protecção que é quase como o "temos sempre, ou quase sempre razão"...nem que seja pelo código do trabalho que nos apoia nas situações mais adversas e complicadas. Mas trabalhar como vendedora numa loja que nem todo o cliente se digna de usar esse nome devidamente é que é a verdadeira frente de batalha. 

Não consigo, sendo isso quase impossível, contar as vezes que dizemos "Bom dia/ Boa tarde/ Boa noite" e somos ignorados. Na minha terra, na minha educação, seja qual for o nosso nível social ou até de habilitações, isso chama-se falta de carácter, falta de educação. Até porque pode vir o chefe de estado, se ele não me cumprimentar com um "Bom dia" para mim, perde todo o respeito que se pode ter por uma pessoa.

Existem essas pessoas e aquelas que juntando ao facto de não nos responderem, ainda se acham no direito de vir (depois de nos ignorar) perguntar "onde está a camisola que está na montra?"...ao qual eu respondo "Bom dia (novamente), a camisola está...". Minha gente, será complicado ter-se educação?! Por vezes, a pessoa que vos vai atender tem mais habilitações literárias que vocês, acreditem ou não. Por isso, não, ninguém é mais do que ninguém seja em que sitio for. 

Depois, vem o filme dos saldos. O filme de se desdobrar, passar por cima, sujar roupa, querer ser o primeiro, querer ser atendido logo e já e não pensar a batalha que estamos enfrentado de horas a fio em pé a servir um público efusivo e ansioso. Atenção, mais do que servir, manter a força, o sorriso e a educação, quando tudo o que falha ao público em geral é mesmo isso, a falta de educação. 

Eu sou antes de vendedora, sou uma cliente e todos os dias aprendo uma lição, a lição de ser mais rica em todos os sentidos com todos os clientes. Adoro o que faço e cresci imenso, principalmente na vertente de abstrair e continuar com o sorriso, o mais natural de todos, pois em todo o lado é assim, aprendemos a lidar com as situações mais complicadas e ter que ser resiliente. 

Mas, não podiamo-nos por um bocadinho no lugar uns dos outros por vezes?! 

sábado, 12 de maio de 2018

Praia

Ouvia à pouco numa entrevista da Carolina Deslandes para o Alta Definição que uma das maneiras de ela ver a vida passava por imaginar-se a nadar até encontrar a praia que lá ao longe avistava e que quando lá chegou, deu por si e as pessoas que talvez a magoavam mais, ainda estavam a nadar a tentar lá chegar.

Devo dizer que foi das coisas que já ouvi na vida, que por um lado, mais sentido fez e que nem damos por nós a pensar nisso no nosso dia-a-dia. 

Quantas batalhas ultrapassamos nós, culpando muitas vezes os outros, sem pensarmos qual a batalha que eles próprios estão a passar? Um momento para pensar nisso pode nos fazer entender por vezes muitas atitudes que insistimos em culpar, em apontar o dedo e..até...porque não..a ser egoístas.

Está sempre em nós, a luz ao fundo do tunel, a praia, as ondas a ultrapassar. Mas, está também à nossa volta todo um conjunto de batalhas que temos que refletir e compreender. Não somos só nós que aqui estamos, não somos só nós que construimos e escrevemos a nossa história. Tal como tudo, existem complementos que a fazem ser tão bonita quanto ela pode ser, mas temos que saber relacionar o bom e o mau. O meu...e o teu. 



Patrícia